domingo, 28 de abril de 2013

Altura das Cordas X Sustain



Olá!
A grande maioria dos clientes que aparecem na oficina sempre me pede para abaixar as cordas o máximo possível, mas o que poucos sabem é que quanto mais próximas as cordas, menor o sustain do instrumento.

Como assim???

Imaginemos uma corda solta, isoladamente. Quando a corda é ferida, ela exibe uma vibração natural na frequência da nota correspondente a ela e  em uma amplitude equivalente à força que gerou a vibração, isto é, à força da “palhetada”. Via de regra, quanto maior essa força, maior a amplitude de vibração.



 Em um braço de um instrumento com as cordas normalmente instaladas a uma altura confortável, porém não tão baixa, teremos a seguinte situação quando a corda é ferida: o ângulo entre a corda e o braço do instrumento é suficiente para manter separada a corda vibrante do próximo traste.

      Nesta situação, a corda vibra naturalmente sem colidir fisicamente com nenhum obstáculo, e para de vibrar apenas pela atenuação natural da vibração.
     
     Porém, em instrumentos com ação de cordas baixa temos uma situação onde, mesmo com trastes perfeitamente alinhados, o angulo formado entre a corda e o braço é muito pequeno, não sendo suficiente para evitar o contato da corda vibrante com o traste seguinte. Como consequência, as cordas batem nos trastes seguintes à nota pela sua vibração natural:


Este “trastejamento natural” acaba por gerar às vezes, um som indesejável  (“pec pec”) e reduz o tempo de vibração das cordas, mais conhecido como sustain

Desta forma, em um instrumento convencional, quando as cordas encontram-se muito próximas dos trastes, deve-se arcar com o ônus da redução do sustain do instrumento e com um ruído indesejável, mesmo que os trastes estejam perfeitamente alinhados. Por isso, normalmente, os músicos que gostam de cordas bem baixas, utilizam efeitos de distorção, compressores, drive, etc, que acabam por aumentar artificialmente o sustain do instrumento.  Aqui cabe muito bem a frase de um de meus mestres de Luthieria: "Não existe instrumento de cordas baixas que não "trasteje" quando desplugado"



DÚVIDAS COMUNS

Eu gosto de cordas baixas! Como melhoro o sustain e reduzo o som resultante da colisão com os trastes???

Como eu disse anteriormente, a amplitude de vibração depende de alguns fatores como:

1 – a força que é aplicada sobre as cordas – quanto mais “leve” a mão do guitarrista, menor a amplitude  de vibração e, consequentemente, menor a probabilidade de a corda colidir com os trastes.

2 – a espessura das cordas – encordoamentos mais grossos são mais resistentes e, portanto, vibram em menor amplitude quanto tocados pelo mesmo guitarrista.

3 – o material do qual são feitas as cordas – Há uma grande variedade de marcas de encordoamentos, sendo que cada uma apresenta uma liga metálica diferente, ou um tratamento anti-corrosão diferente. Desta forma, cada marca e modelo de encordoamento terá uma resistência diferente dos demais. Encordoamentos mais “duros” exibirão o maior sustain em instrumentos com cordas baixas.

De uma forma resumida, o músico deve escolher entre o maior sustain, com cordas não tão baixas, e o maior conforto e velocidade, com cordas bem baixas, mas é claro, é possível dosar ambos para chegar  na melhor conformação possível para cada músico.

Qualquer dúvida, basta adicionarem a Arsenal Luthieria no Facebook e perguntarem, que estou sempre à disposição!

Luthier André 




quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Trastes



Boa tarde!


    Hoje vou abordar um assunto que é dúvida recorrente entre os clientes, e é motivo para muitos "luthiers" enganarem seus clientes: "Quando devo trocar os trastes do meu instrumento?"

 Muitas vezes eu me deparo com instrumentos que exibem os trastes em "estado de calamidade pública", como os da foto ao lado. O cliente muitas vezes se pergunta: "por que os trastes chegaram nestas condições se eu uso a guitarra pouco?
Existem muitas possíveis respostas para isso, abrangendo desde a qualidade do traste, o uso do instrumento e a sua conservação.






1 - QUALIDADE DOS TRASTES
     Existem trastes das mais diversas marcas, modelos e preços. O que os diferencia, são as dimensões (altura e espessura) e a proporção de níquel, cobre e zinco, principalmente. De uma forma geral, o traste que apresenta mais níquel em sua composição (18%) é o traste que mais dura no instrumento (mais do que isso, o traste se torna duro demais, dificultando demasiadamente a utilização de ferramentas para nivelamentos, e até mesmo para a instalação). Por este motivo, trastes da marca Dunlop, por exemplo, são tão valorizados. Trastes mais baratos, em geral, apresentam mais cobre em sua composição, o que os faz menos resistentes e, consequentemente, menos duráveis Muitos "luthiers" os preferem pela facilidade em se trabalhar com eles, não se importando com a durabilidade do material que está utilizando no reparo. Quando instalados há alguns dias, os trastes menos duráveis exibem logo uma coloração avermelhada ou amarelada na região onde há desgaste pelas cordas.

2 - CONSERVAÇÃO DO INSTRUMENTO
   Cordas velhas tornam-se ásperas pela sua oxidação (basta passar os dedos ao longo delas para perceber a aspereza). Desta fora, funcionam como lixas nos trastes, diminuindo substancialmente sua duração. Os músicos que economizam em trocas de corda, acabam gastando muito mais em trocas de trastes.



  • Quando devemos trocar os trastes e quando a retífica (nivelamneto dos trastes) pode ser aplicada para remover as marcas deixadas pelas cordas e o consequente trastejamento?


Quanto mais próximos os trastes da escala, maior a possibilidade dos dedos e das cordas encostarem na madeira quando pressionados contra os trastes. Desta forma, maior o atrito e mas difíceis se tornam os "bends". Além disso, maior é o desgaste da madeira da escala, chegando, em alguns casos, a formar grandes cavidades, como os da imagem abaixo.


      Por isso, quando as cavidade formadas formadas pelo desgaste dos trastes são muito profundas e as cordas chegam muito próximas da escala, opta-se, em geral pela substituição e não pela retífica, mas quando ainda há altura de trastes que garanta um conforto para o músico (sem influenciar na sua forma de tocar), opta-se pela retífica. Por isso, quando um "luthier" lhe disser que há necessidade de trocar os trastes, analisem bem para não serem enganados, pois isso acontece muito!!!!


  • Ok, optei por trocar os trastes.... Qual o melhor traste para mim?


      A escolha das dimensões dos trastes é única e exclusivamente do músico, pois a adaptação ao novo modelo de trastes vai depender da forma de tocar do instrumentista.
     Trastes menores (como o Dunlop 6230, por exemmplo) aumentam o atrito dos dedos com a madeira, dificultando bends ou em alguns casos a velocidade da mão esquerda
     Em geral, trastes maiores, como o Dunlop 6000 ou 6100, por evitarem o contato da corda e dos dedos com a madeira, facilitam os "bends", mas também tem a desvantagem de dificultarem a afinação para quem aperta muito as cordas (quanto maior a força aplicada pelos dedos, mais esticadas ficam as cordas, e mais aguda soará a nota, podendo chegar a sair da frequência típica da nota, simulando uma desafinação). Segue aqui uma tabela retirada do site http://www.guitarpartsresource.com/ com tamanhos de alguns trastes dunlop. Vale lembrar que o Dunlop 6000 é o maior traste fabricado pela marca e o 6230 é o mais utilizado em violões e guitarras fender vintage:

MODELO
ALTURA (mm)
LARGURA (mm)
6000
1,47
2,99
6230
1,08
1,99
6100
1,4
2,79
6105
1,4
2,29



Foram citados aqui os trastes da dunlop, mas existem outras marcas com a mesma proporção de níquel, isto é, tão duráveis quanto os dunlop, como Stewmac ou Jescar. abaixo segue uma imagem do site http://www.lutherie.net/fret.chart.html  para que se tenha ideia das dimensões dos trastes:




Até a próxima!


domingo, 6 de maio de 2012

Luthiers "The Good, The Bad and The Ugly"


Antes de mostrar como ficou o braço da strato, vou falar um pouco de um trabalho que estou fazendo para reparar um péssimo trabalho de um “Luthier”. Tudo começou quando o dono da guitarra foi a este “Luthier” para fazer dar uma melhorada em seu instrumento. Logo, o “Luthier” resolveu convencer este cliente a colocar em sua guitarra uma ponte que ele tinha lá para vender. O único problema é que a ponte não era feita para este tipo de instrumento e não cabia na guitarra de uma forma aceitável, e após vender, o “Luthier” resolveu fazer uma gambiarra para instalar. Com este intuito, ele fez algumas escavações no instrumento, porém, utilizando ferramentas de uma forma indevida.


Como pode ser observado nas fotos, a furação parece mais ter sido feita com um garfo do que com uma tupia...Este tipo de trabalho me deixa um pouco revoltado e me faz pensar em como definir um luthier bom ou ruim. Seguem algumas dicas para os músicos escolherem o profissional que vai mexer em seus instrumentos:


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  • Com certeza uma das primeiras coisas a se verificar quando for contratar o trabalho de um luthier, são os trabalhos que ele já fez. Veja se quem já experimentou o serviço recomenda ou se tem alguma ressalva.
  • Não menos importante que a primeira sugestão: verifique se ele realmente investe em seu trabalho, isto é, se tem ferramentas próprias para luthieria. Atualmente existem muitos fornecedores internacionais e algumas excelentes iniciativas nacionais que fabricam ferramentas para luthieria. A maioria das ferramentas é indispensável em uma oficina ou athelier e sem elas, não há como fazer um bom trabalho com um bom acabamento. Abaixo seguem dez exemplos ( Amaioria das fotos foram retiradas de www.stewmac.com), entre centenas possíveis:
1.       Limpadores e óleos próprios para instrumentos: atualmente existem diversas marcas de limpadores, polidores e óleos próprios para instrumentos, portanto, não há motivos para a utilização de polidor de móveis ou cera automotiva... Plagiando os dizeres do Luthier (excelente por sinal) e grande amigo Guzzardi: Carro é carro, móvel é móvel e guitarra é guitarra;

      2.       Lima para arredondamento de trastes: é uma ferramenta imprescindível para um bom acabamento após retífica de trastes, caso contrário, fica complicado fazer os trastes voltarem à forma arredondada original. Existem vários modelos e formas, mas um bom exemplo é a da Stewmac (www.stewmac.com), mostrado na figura ao lado. Alguns Luthiers preferem as limas triangulares para este serviço.


3.    Furadeira de bancada (ou de coluna): uma furadeira vertical que garante furos de 90° e o encaixe perfeito de buchas e parafusos na madeira. Há imagens da minha no post anterior.

      4.       Tupia manual e/ou de mesa: máquina indispensável para escavar madeira, fazendo cavidades com acabamento perfeito. 



      5.      Trastes de boa qualidade (Dunlop ou Stewmac, por exemplo)



6.      Réguas com marcação para distâncias de cordas em nut




7.       Serras e/ou limas com medidas exatas para slots de nut, para que as cordas não fiquem presas ou folgadas nas respectivas cavidades do capotraste






      8.       Gabaritos de raio de escala. São utilizados com diversas finalidades, mas as principais são verificar qual o raio de curvatura da escala e colocar as cordas neste mesmo raio durante a regulagem.




9.       Serra de slots de trastes, para fazer canais para os trastes com a medida certa para que não fiquem folgados, correndo o risco de se soltarem ou movimentarem na cavidade, e nem apertados demais, deformando a madeira durante seu encaixe.



10. Curvador de trastes: garante que os trastes tenham uma curvatura correta para o assentamento na madeira sem forçar e deformar o metal, reduzindo as imperfeições nas trocas de traste.





Enfim, para se trabalhar com luthieria, um bom investimento deve ser feito, assim como para a maioria das profissões, e isto irá ajudar a obter bons resultados. É claro que ferramenta não é tudo e a experiência conta mais que isso. Mas podem ter certeza que a fama do luthier o precede e que, se fizerem uma boa investigação antes de deixar seu instrumento com ele, com certeza não deverão ter surpresas desagradáveis quando o serviço estiver concluído.

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Bom, voltando à guitarra, conversei com o cliente e resolvemos voltar o instrumento ao que era originalmente.
Para reparar a furação imperfeita, e agora desnecessária, foi imprescindível escavar com auxílio de gabaritos e da tupia manual, uma área maior em cada furo com a finalidade de lineariza-los, o que possibilitaria fazer enxertos de madeira em todos eles. 



 Depois, com pedaços de maple, foram esculpidas peças que se encaixavam perfeitamente em cada furo. 

As peças foram então coladas em seus devidos lugares e o instrumento foi raspilhado e lixado para o nivelamento perfeito dos enxertos. 


   
     O cliente havia solicitado que a pintura do instrumento fosse do tipo Sunburst duas cores, isto é, um degrade preto na lateral e amarelo translucido no centro. O único problema disso era que o amarelo translúcido deixaria que os enxertos aparecessem, portanto, chegamos a uma solução para o problema com a colagem de lâminas de maple nas duas faces do corpo da guitarra antes da pintura. O resultado pode ser visto nas foto que seguem, que mostram exatamente como o corpo da guitarra ficou antes da pintura.





 O pior de tudo é que o problema ainda não acabou... o braço foi um outro serviço feito pelo "Luthier" que resolveu trocar o tensor. O final do serviço dele (sim!!! exatamente como estava!!!) pode ser visto nas fotos, que dispensam explicações. Mas esta parte do trabalho está em andamento e postarei assim que tiver terminado....



Um abraço e até a próxima (que eu prometo que não demorará tanto como esta!!!)!!!




quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CONTINUANDO...
Finalmente depois de passar a tupia com o molde na posição correta, o resultado final é este que segue...


Estou trabalhando em uma guitarra strato, e o trabalho está ficando interessante...
quando comparadas com outros instrumentos sólidos, as guitarras stratocaster sofrem com a falta de sustain.... Então resolvi trabalhar em um novo projeto de uma strato com o maior sustain possível.... Para começar, pensei na escolha das madeiras e reolvi fazer o corpo em Mogno...
Sim... Mogno... apesar de ter um timbre caracteristicamente grave, diferente do normalmente visto em strato, o sustain proporcionado por essa madeira é inigualável...
O braço será em Maple e a escala, em ébano....Isso deverá contrabaleancear o timbre do mogno....




Para fabricar um instrumento, algumas ferramentas são indispensáveis... entre elas, destacam-se as serras para cortar o contorno, a tupia para escavar e copiar os moldes. O início do projeto se dá com a confecção do molde, que deverá estar impecável e deverá conter não somente o contorno do instrumento, como todos os furos, com perfeição nas curvas e detalhes... Lembre-se, a sua guitarra será idêntica ao molde, portanto faça-o com muito cuidado. Os moldes devem ser feitos em madeiras finas e resistentes, que não deformem com o tempo... eu costumo usar MDF mas há moldes de muitos materiais.


Como faço este trabalho devagar, hoje vou postar até o ponto onde estou... no corpo do instrumento...Inicialmente, o desenho foi passado para a madeira a partir de um molde em MDF que fiz há algum tempo, e escolhi a melhor parte da peça de mogno para isso, de forma que as fibras da madeira acompanhassem longitudinalmente o corpo do intrumento, proporcionando uma melhor condução da vibração da madeira.
Após o desenho, o contorno foi cortado grosseiramente com uma serra de fita (este trabalho pode ser feito também com uma tico-tico, mas com madeiras duras, a tico-tico pode não aguentar (sim.... isso já aconteceu comigo...hehehe).
Feito isso, o molde deverá ser novamente colocado sobre o corpo e o contorno deverá ser acertado com uma tupia, que pode ser de mesa ou manual. Na fresa da tupia há um rolamento (imagem da direita) que bate no molde e permite que se copie o molde com precisão... Desta forma, o corpo ficará com o formato correto e sem as irregularidades da serra de fita.















Contorno feito, agora a furação deverá ser desenhada com base no molde e o corpo estará pronto para tomar sua forma definitiva. Porém, antes de furar com a tupia, as cavidades são furadas com uma furadeira de bancada... desta forma, a fresa da tupia terá pouco trabalho a fazer e você acaba de poupar uma ferramenta bem cara.... Somente depois da furação o molde é novamente colocado sobre o corpo e a tupia entra em ação para copiá-lo.



Por hoje é isso!
Conforme a construção for avançando, irei postando o passo a passo aqui no blog.
Abraços e até logo...


domingo, 14 de agosto de 2011




Depois de muito tempo sem postar, resolvi voltar o blog a ativa.
Então para começar, vou postar um trabalho que fiz recentemente para meu cliente e amigo Anderson, de Ibitinga (SP)

O baixo do Anderson apareceu aqui na oficina com um problema sério: o tensor estava com a bala de ajuste quebrada!!!
Normalmente isso se resolve removendo a bala do tensor e substituindo-a por uma nova... ok, PORÉM... como tudo sempre pode piorar, o tensor do baixo do Anderson, um Washburn bantam series americano (excelente por sinal) é de dupla ação e, portanto, a bala do tensor não é removível... A única forma de resolver o problema seria trocar o tensor inteiro.

Para isso, o primeiro passo seria remover a escala para ter acesso ao tensor. A escala é colada, em geral, com cola de madeira do tipo PVA. Esta cola é hidrossolúvel e derrete com o calor excessivo. Para removê-la foi necessário o uso de um secador de cabelo, lâminas de estilete, um pano umedecido e muuuuuuuuuuuuita paciência. O processo leva dias de trabalho intenso para que a madeira não seja danificada.

Enquanto se aquece intensamente uma pequena região da escala, força-se a a lâmina de estilete na região para que ela vença a cola derretida com o calor. Porém, isso se faz muito devagar e quase sem força, para preservar a integridade da madeira.

O resultado deste trabalho delicado é a remoção completa da escala, sem danificar nenhuma parte do braço. Finalmente temos acesso ao tensor deste baixo e podemos removê-lo.

Para a substituição do tensor, resolvi optar por uma peça nova adquirida na Stewart Macdonald, uma das melhores lojas de suprimentos para luthieria. Trata-se de um novo tensor de dupla ação, que manterá a qualidade e a originalidade do baixo do Anderson, sem ter que redimensionar a cavidade do braço.

O tensor foi, portanto, acomodado na cavidade do braço e a escala foi recolada. No entanto, este procedimento faz com que a escala se acomode de uma forma levemente diferente do que estava no braço antes de ser removida, portanto, se faz necessária a remoção dos trastes, o nivelamento da madeira, a colocação de novos trastes e um retoque no acabamento do verniz, que sempre é danificado durante a remoção da escala e sua reacomodação.
No fim das contas, este procedimento é quase tão trabalhoso quanto o de fabricar um braço, mas resolve o problema mantendo a originalidade do instrumento. O resultado final é um braço quase novo para o instrumento.Até a próxima!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Olá a todos!
Hoje quero mostrar um trabalho interessante e um pouco polêmico que fiz recentemente: um escalopamento.
Mas o que é e para que serve escalopar a guitarra?
O precesso de escalopar a guitarra consiste na remoção de madeira entre os trastes, com a finalidade de reduzir ou impedir o contato dos dedos com a madeira da guitarra. Isto possibilita uma série de "vantagens" para o guitarrista:

  • Sem o contato dos dedos com a madeira da escala, os 'bends' são mutio mais fáceis, pois a corda desliza apenas nos trastes;
  • Fica mais fácil tirar harmônicos em todas as casas;
  • Há uma maior facilidade de passar de uma nota a outra, o que eleva um pouco a velocidade da mão esquerda;
  • quando o guitarrista pressionar as cordas com um pouco mais de força, há uma distensão da corda e um aumento do tom da nota, o que possibilita o efeito de um bend pequeno.
Este último evento pode ser um problema para guitarristas com a pegada mais forte, pois com uma escala escalopada desde a primeira casa, podem ter problemas em acertar a afinação dos acordes de base. Por este motivo, vários guitarristas preferem escalopar apenas as últimas casas, mais utilizadas em solos.
Para quem nunca tocou com uma guitarra escalopada, um efeito semelhate é sentido em instrumentos com trastes extra jumbo. A grane altura destes trastes rduz o contato das mãos com a madeira, se aproximando de um escalopamento leve.

Este cliente (e amigo), solicitou um escalopamento profundo da casa 10 até o fim da escala de sua Fender Japonesa. Tentei convence-lo de não fazer o escalopamento (dá pra ver pela minha cara ao lado), para evitar remover madeira de um instrumento tão bem feito, mas não adiantou... Como a guitarra é dele, apesar de não concordar.. Mãos à obra!!!



A profundidade do escalopamento (3mm) foi marcada na lateral da escala e o processo foi iniciado. Foram utilizadas lixas de tambor de diferentes tamanhos, acompanhadas de limas cilíndricas e lixas finas para a finalização.

Finalmente, com as casa escalopadas, o acabamento dos trastes foi refeito, para remover algumas marcas das lixas e a guitarra foi regulada.



O cliente e amigo Everton, professor de guitarra na escola CEMUSI em São Carlos-SP, gravou este vídeo para nós falando um pouco mais sobre o escalopamento.
Um abraço a todos!
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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Continuação (construção de braço)

Depois de algum tempo o baixo voltou do acabamento. Para manter a originalidade do insturmento, o acabamento escolhido foi verniz pigmentado e fosqueado. Lembrando que as madeiras utilizadas foram: Braço em Pau marfim e Ipê dente de Cão e escala em Jacarandá Paulista. Para não chocar com o acabamento do corpo foram utilizadas lâminas de Imbuia no headstock.








Bom, pessoal, é isso aí.. mais um capítulo terminado e mais u ano terminado também. No começo do ano postarei mais alguns trabalhos insteressantes e dicas... Estou aberto a sugestões.

Um abraço e um excelente ano novo a todos!

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quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Construção de braço para baixo...

Olá a todos.

Hoje vou comentar algo que me deixou um pouco chateado. Há algum tempo recebi na oficina um baixo que apresentava um problema bem grave, que não é tão incomum, embora eu nunca tenha visto nesta intensidade. O braço do baixo apresentava uma torção séria que, acreditem, qualquer leigo perceberia. O que me chateia é que se trata de um baixo de braço integral construído por um Luthier que, por isso, deveria apresentar um controle criterioso de qualidade de construção e madeira.

A madeira realmente estava boa, mas a construção, como vocês podem perceber pelas fotos, deixou muito a desejar. Após perceber a torção, o cliente me solicitou que fizesse um braço para o baixo (opção dele transformar em braço aparafusado). Quando removi o braço original foi que percebi que os problemas eram mais sérios do que eu imaginava.

A remoção do braço foi feita com auxílio de uma serratico-tico e completa com serra manual. Removido, a parte de madeira do braço foi retirada, restando o corpo e o tensor.. O restante da escala foi então removido com calor e um espátula. Pode ser percebido pela próxima foto que o tensor foi instalado no braço de forma completamente fora de centro, o que pode ter auxiliado na torção. Além disso, o arredondamento do braço foi completamente assimétrico, o que também cotribui para a instabilidade do instrumento.

Após este passo, foi iniciada a costrução do braço. Foi escolhida uma mistura de duas madeiras para o braço: Marfim e Ipê preto, ou ipê dente-de-cão. Para a escala foi utilizado Jacarandá da Bahia.


A escala foi cortada copiando a escala do braço do baixo original (34").

A escala foi colada no braço e o corpo foi escavado

e moldado para o encaixe do braço. Após isso os trastes foram inseridos e o braço está pronto para o acabameto.







E aqui está ele. Corpo e braço prontos para o acabamento.

Seria muito legal se não fosse triste por ver uma construção tão mal feita deste baixo de braço integral, por um suposto luthier. Fica a mesagem: quando comprarem um instrumento de luthier, cabe conhecer os trabalhos do luthier antes de aprovar um orçamento, ou você corre o risco de ter que refazer, pois cada detalhe na conctrução é fundamental para a estabilidade e qualidade do instrumento.

Em um próximo Blog mostrarei o resultado final.

Até a próxima.


André